Permito sua entrada

Eu não esperava ninguem

a vida me lançava oportunidades

enquanto eu usava a melhor xicara pro cafe da tarde

A casa sempre escura escondia sombras

e um pedaço do bolo caido no tapete

Minha  alma bem antiga brinca com as perolas

que enfeitam meu pescoço esguio

Sofro em silencio ao lembrar o que não permiti

agora é  um pouco tarde para lamentos

Na cozinha a chaleira vermelha assovia 

o telefone mudo enfeita a mesa de cabeceira

o ventilador  de teto  me afaga por completo

O sono me invade e me entorpece

minhas palavras ficam arrastadas 

A xicara escorrega lentamente dos meus dedos

manchando meus lençois bordados com seu nome

Adormecendo ainda consigo pronunciar 

O que fiz da minha vida.......